Quatro jovens e um destino

DIÁRIO DE BORDO

Educação em Pauta com o Jeduca

Pensar ações e projetos que deem oportunidade a novos aprendizados e vivências a alunos da rede pública é o fundamento do Go Code, projeto de letramento digital da Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho que em 2016 completou sua terceira edição.

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[Foto da turma do Go Code 2016]

Na era digital é fundamental instrumentalizar crianças e jovens com a linguagem que, hoje, permite o avanço tecnológico, social e econômico. Falar em linguagem de programação não é se limitar ao universo da tecnologia, é importante que todos os jovens tenham acesso a este conhecimento para compreender o mundo em que estão vivendo e estarem empoderados para fazeres suas escolhas e se desenvolverem profissionalmente.

Foi com este enfoque que a terceira edição do Go Code trouxe uma novidade oferecida pelo Instituto Jama: Quatro alunos do curso seriam levados para uma viagem de imersão em tecnologia em São Paulo. O critério de seleção seriam tanto o desenvolvimento técnico como socioemocional.

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E é deste ponto que começa a aventura do dia 28 de março, quando quatro jovens embarcaram rumo a terra da garoa para vivenciar dias intensivos de visitas e passeios culturais.

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[Aeroporto Salgado Filho, Porto Alegre]

“ Quando nós trouxemos esta nova proposta para a FMSS, queríamos mostrar para esta gurizada que há um universo de possibilidades no mundo, abrir a cabeça deles para que possam tomar as decisões de vida e de carreira”, diz Janaina Audino, Executiva do Instituto Jama.

As novidades já começaram no embarque, ao chegar no aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, pois três dos quatro jovens nunca haviam andado de avião. O que vestir, onde colocar a mala, onde pegar a passagem, viajar sem os pais, tudo isto fez a aventura ser ainda mais desafiadora para eles, e mais recompensadora para os gestores do projeto.

“O grande ganho de um projeto que se dispõem a apresentar um novo mundo para jovens é efetivamente conceder oportunidades de novas experiências e reflexões que o contexto deles não contemplam. O desenvolvimento de um jovem protagonista e crítico só acontece quando ele se expõe a diferentes conhecimentos e visões, proporcionando uma visão mais sistêmica de sua vida e de seu papel no mundo”, diz Amaralina Xavier, responsável pelos projetos da FMSS.


DIA 1: Conhecendo São paulo e a cultura Hacker

O primeiro dia começou com um passeio pelos principais pontos turísticos de São Paulo em um city tour pela cidade.

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Partimos da praça da República e percorremos um trajeto de cerca de 3horas entre as principais áreas do centro de São Paulo.

 

“Este parque da umas três redenções eu acho” disse um dos jovens impressionado com o Ibirapuera. Realmente, a terça-feira no parque nos presenteou com a beleza verde no meio de tantos prédios.

Após o tour, fizemos nossa primeira parada tecnológica no Garoa Hacker club, um espaço colaborativo para entusiastas de diversas áreas da tecnologia discutirem e fazerem projetos conjuntos. A visita foi arranjada pelos nossos anfitriões Fernando Carril e Mônica Rizzolli, que além de apresentar o espaço disruptivo para a garotada organizaram o evento da noite focado em Processing e Arte.

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[Mônica Rizzoli e Alexandre Villares ]

Nós procuramos um hackerspace porque desejávamos desenvolver projetos inusuais, experimentais – focados no processo – gerando experiências divertidas e aprendizado significativo no contexto de arte e tecnologia.

A presença de jovens em um hackerspace é desejável não só pelas possibilidades citadas acima como também pelas oportunidades de convívio e desenvolvimento de habilidades sociais. Os jovens contribuem ativamente com novas demandas – baseadas na sua realidade  – rompendo pressupostos e consequentemente renovando a dinâmica do espaço.Ao mesmo tempo têm a possibilidade de interagir com pessoas mais experientes, inclusive no mercado de trabalho, e de contato com assuntos novos e diversos.” Explicam Alexandre Villares e Monica Rizzolli.

 

DIA 2: Colocando a Mão na massa, com cultura maker e empreendedorismo.

O Segundo dia de visitas foi pensado para mostrar aos jovens que toda ideia e projeto tem um ponto de partida, e que nada nasce pronto, é preciso testar ideias e protótipos até que algo esteja maduro para ir para o mundo.

A parte da manhã foi especialmente organizada pelo Henrique Lorea e pela Fernanda Kuvabara do Itaú. A partir de uma conversa sobre o Go Code, eles também estão desenvolvendo um projeto de capacitação de jovens com foco em tecnologia e big data.

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O passeio pelo CUBO teve a facilitação do Diego Latorieri, que gerencia o espaço coletivo. O Cubo é uma iniciativa do Itaú para acelerar startups que trabalham diretamente com tecnologia e que já provaram seu potencial de escala e impacto. Com um espaço colorido e disruptivo, as empresas que se estabelecem ali tem, além de mentoring para sua aceleração, áreas coletivas para troca de ideias e descompressão.

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[Diego Latorieri ]

Nossa manhã terminou com uma visita ao próprio Itaú, um espaço de cinco torres recheado de obras de artes e espaços de convivência para facilitar o dia a dia dos funcionários.

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[Parte interna do prédio empresarial do Itaú]

A parte da tarde foi inteiramente de mão na massa e imersão no cultura maker que tem em sua base a idéia de que todos podem construir, consertar, modificar e fabricar os mais diversos tipos de objetos e projetos com suas próprias mãos.

Na busca por uma pedagogia que privilegie o protagonismo do aluno, que produza colaboração e criatividade, atitude crítica e autonomia, a proposta é que por meio de oficinas de invenções (Espaço Makers e Fab Labs) seja produzida uma atitude de empoderamento e transformação da realidade.

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[Mundo Maker]

O Mundo Maker, uma oficina para crianças e jovens de todas as idades, nos recebeu com dois desafios: Fazer um robô se mexer e Lançarmos um avião de papel usando uma ignição elétrica. As ferramentas: Arduino, muitos fios e linguagem de programação. Nenhum dos quatro alunos havia trabalhando com arduino antes e, com a metodologia do Sério e do Pedro, nossos professores, conseguiram executar a tarefa com louvor e muitas risadas.

O Fab Lab Livre SP tem uma proposta similar ao mundo maker, mas lá a iniciativa é pública e permite que qualquer pessoa faça cursos ou desenvolva seus projetos pessoais se utilizando da infraestrutura do espaço: Impressora 3D, máquina vacuform, recorte a Laser, arduino e moldes de silicone. Tudo acessível em 12 pontos distintos da cidade de São Paulo.

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[ Fab Lab Livre ]

Encerramos o dia levando os quatro jovens para provar comida espanhola e assistir ao musical Rent.

 

DIA 3: Imersão nos gigantes da tecnologia.

Conhecer empresas como Google e Twitter é o sonho dessa garotada que está se iniciando no mundo da tecnologia, tanto pelo trabalho que desenvolvem como por serem as empresas que estão ditando novos modelos de trabalho. Ou seja, o dia começou com muito nervosismo para os quatro.

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[ Google]

A Fabiana Zanni nos recebeu na sede da empresa e fez um tour para conhecermos os espaços de trabalho e de troca do Google. A parte de tecnologia chamou a atenção, mas os espaços das refeições foram os que encantaram a garotada: muito aconchegantes, coloridos e cheios de tecnologia.

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[Fabiana Zanni, Google]

A nossa última parada foi no Twitter Brasil, recepcionados pelo Fernando Gallo, Head de políticas públicas da empresa. O foco da visita foi fazer uma imersão crítica no mundo digital.

Depois de vermos todas as possibilidades tecnológicas nas visitas anteriores, o Fernando trouxe à luz a questão das implicações da tecnologia na vida das pessoas abordando questões como privacidade, fake news, reputação e discurso de ódio.

Esta conversa faz parte de um projeto desenvolvido pelo Twitter e coordenado por ele para capacitar principalmente professores com uma visão crítica sobre as redes sociais, os ajudando a lidar com questões como cyberbullying e segurança de seus alunos.

[Twitter]


No final do mês de abril a garotada irá apresentar um documentário sobre a imersão feita em São Paulo.